Numa época em que brincar está quase em desuso, as crianças do século XXI quase não sabem o significado dessa palavra. Brincadeiras individuais onde o parceiro ou rival é uma máquina e não um ser humano, criam uma falsa idéia de interação. Forçadas pela correria e pelo medo da violência urbana, os pequenos que moram na cidade se distraem com o videogame ou com a televisão de suas casas, em vez de correr, pular, arremeçar, se mexer de um modo geral.

Esses hábitos ajudam no individualismo e na falta de contato, que nessa fase é algo muito importante.

Indo contra essa tendência social, algumas instituições, ONGs e até mesmo algumas famílias desenvolvem brincadeiras infantis que estimulam a sociabilidade das crianças, numa troca de experiências onde o lado lúdico é estimulado.

SESC (Serviço Social do Comércio) possui diversos programas socioeducativos. De acordo com Marise Teixeira Cabral, responsável por esse segmento, há várias atividades voltadas para as crianças, como a natação, iniciação esportiva, aulas de dança, entre outras.

As turmas são dividias em dois períodos, das 8 às 12 horas, e das 14 às 18 horas. Ambas as turmas de terça à sexta-feira. Crianças que estão na faixa etária dos sete aos 12 anos, podem entrar para o projeto Curumim.

Segundo Carla Carolina Malheiros, formada em educação física e instrutora de atividades do projeto Curumim, as atividades aplicadas aos alunos visam trabalhar o lado lúdico da criança. Os exercícios físicos são canalizados nesse sentido.

Entre as mais frequentes estão os esportes aquáticos, futebol, handebol, vôlei adaptado – que recebe o nome de “câmbio” (ao invés da criança bater na bola, ela segura e lança para a outra) -, queimada e base quatro, uma espécie de beisebol também adaptado às crianças.

Para Carla, sociabilizar as crianças é um dos principais focos do projeto. Colocá-las em contato com outras, fazê-las aprender a dividir os brinquedos. Enquanto se distraem e se divertem, os instrutores ficam observando possíveis problemas tais como timidez e falta de autoconfiança.

A instrutora ressalta que ao perceber alguma criança sozinha, ela tenta estimulá-la a brincar. “Logo invento algo engraçado que chame a atenção das outras crianças. Em questão de minutos, todos estão próximos àquela criança que antes estava sozinha”.

Alguns problemas são detectados no projeto Curumim. Carla conta que certa vez, em uma de suas aulas, ela chamava a atenção de um menino e este não respondia e não compreendia as atividades. Passou então a observá-lo, e percebeu que quando estava de frente para o menino e mostrava como devia fazer, ele entendia, mas quando estava longe ou dava ordens oralmente ele não obedecia. “Percebi que o menino era deficiente auditivo e entrei em contato com os pais do garoto”, comenta.

A idade das crianças varia entre sete e doze anos. Isso propicia o exercício da confiança, pois os mais novos têm que saber jogar com os mais velhos, geralmente vistos como mais fortes. “As atividades são mescladas. Não há esporte destinado aos meninos ou as meninas. Todos aprendem um pouco de cada um”, conclui.

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